Juros baixos devem incentivar consumo e investimentos, diz analista

Foto: Dielin da Silva/OCP

Em meio à crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus, na semana passada o Banco Central (BC) diminuiu os juros básicos da economia pela nona vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 2% ao ano, com corte de 0,25 ponto percentual. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

O consultor financeiro Layon Dalcanali, da Warren, aponta que a redução não deve ter um impacto imediato pois a taxa de juros já estava muito baixa. O que deve ser notado agora é o resultado das reduções prévias na chamada “economia real”.

“Essas reduções na taxa base de juros demoram para serem entidades na economia real, nos juros aplicados sobre o consumidor. Agora começamos a ver os reflexos dessas reduções sobre os juros aplicados em crédito e financiamento ao consumidor”, explica.

Este impacto tardio das reduções anteriores deve incentivar o consumo – reduzido por conta da movimentação baixa em tempos de pandemia.

Ao mesmo tempo, a Selic baixa muda o perfil de investimento do Brasileiro, tradicionalmente conservador, explica Dalcanali. “Com o juro baixo, estas aplicações mais conservadoras como a poupança e fundos de renda fixa deixam de ser atraentes e o investidor passa a ter que buscar investimentos mais lucrativos, seja em investimentos mais arriscados ou na forma de investimentos em economia real, como abrir ou participar de um negócio”, destaca.

Em nota, o Copom informou não descartar futuros ajustes nos juros básicos, mas ressaltou que as próximas mudanças, caso ocorram, serão graduais dependerão da situação das contas públicas.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado [juros excepcionalmente baixos], mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, destacou o comunicado.

“Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva [expectativa de inflação para os próximos meses]”, acrescentou o texto.

A Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018, só voltando a ser reduzida em julho de 2019.(Fonte: Rede OCP News)

 

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