Sombrienses contam experiências nos seis meses de isolamento social

Osair e Olinda Nichele, 52, não estão entre os mais afetados pela pandemia, mesmo assim, o casal estranhou a nova forma de vida

Sombrio

Nesta quinta-feira 17, completam seis meses do primeiro decreto de isolamento social do governo do estado. Naquele 17 de março, o anúncio feito pelo governador Carlos Moisés provocou medo, susto e polêmica. O coronavírus mal havia chegado a Santa Catarina e tudo era dúvida sobre o futuro. Mesmo assim, ninguém imaginava que a pandemia se prolongasse por tanto tempo.

O diretor da escola Catulo da Paixão Cearense Paulo Eggler, afirma que ao interromper às aulas no dia seguinte ao decreto, acreditou que tudo voltaria ao normal no mês seguinte, mas os primeiros 30 dias se transformaram em 60, 90 e agora 180 dias com as salas e corredores do prédio localizado no centro de Sombrio, vazios. “Ninguém estava preparado para o que aconteceu, e até hoje os professores se sentem bastante angustiados por essa situação”.

Apesar das dificuldades, Paulo avalia que também aconteceram ganhos neste período, como a discussão sobre novos meios de levar informação às pessoas. O problema é que alguns alunos não são alcançados pelas aulas online, e entre eles, o desânimo pela demora da volta das aulas presenciais é maior. Em meio a esse cenário, o educador aconselha: “Manter a saúde e a tranquilidade é o mais importante”.

Osair da Rosa Cipriano de 60 anos e Olinda Nichele, 52, não estão entre os mais afetados pela pandemia, mesmo assim, o casal que mora no bairro São Francisco em Sombrio, estranhou a nova forma de vida. Conhecido como Zaco, Osair é autônomo e trabalha sozinho, por isso, pode continuar trabalhando mesmo no período mais crítico do isolamento social. Poucos clientes cancelaram as encomendas e as perdas financeiras foram pequenas. “Mas uns amigos meus pedreiros, pintores e de outras profissões ficaram meio embretados, pra eles foi ruim. Pra mim o que mudou foi não poder mais ficar perto das pessoas”, diz. Olinda conta que as primeiras notícias sobre o coronavírus em Santa Catarina lhe provocaram medo. “Tive apavoramento, depois me controlei, fiquei só em casa, saindo só o necessário e o medo diminuiu”.

Para Marcos Antônio Duarte, foi mais difícil. A pandemia trouxe muito medo, não tanto do vírus, principalmente de não ter dinheiro para pagar as contas. Ele perdeu o emprego ainda em março, quando a empresa em que trabalhava reduziu muito a produção. “De uma hora pra outra parece que ficou tudo diferente, foi uma tristeza”, lamenta.

No escritório da Elos Contabilidade, em Sombrio, o contador Elias Ribeiro passou por uma experiência única em seus quase 50 anos de profissão. A partir de 17 de março, por quase dois meses ele e os funcionários trabalharam em casa. O home oficce entrou de vez no vocabulário dos brasileiros. “A produtividade se manteve quase a mesma neste período”, informa.

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